quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

AUTOSSUGESTÃO





12h34. Acordei há poucos minutos. Fui fumar o meu cigarro da manhã e aqui estou. Hoje o post promete ser morgado. Nem sei se divulgue. Acho que preciso de um café. Acho que tem.

12h40. Minha mãe veio me passar o seu itinerário de hoje. Há festa de confraternização do seu departamento na universidade. Pois é, minha mãe e meu padrasto são conceituados professores do departamento de Química da universidade. Meu pai também era enquanto vivo. E a única matéria em que fui para prova final, fiquei para repetir de ano mesmo, foi em Química. Sempre odiei Química. E por meus pais serem professores da Área Dois, decidi desde que descobri o que era vestibular nunca fazer nada de Exatas para não tê-los como professores. Tinha medo de eles descobrirem quão mal aluno eu era, especialmente o meu pai. Relapso, sem concentração, desinteressado. Pior seria repetir em uma de suas cadeiras. Nunca fui dado ao estudo, sempre achei uma obrigação deveras chata e entediante.

13h04. Por falar em obrigação, minha mãe me obrigou a comer agora, mesmo sem estar com a mínima fome. Tanto melhor que como pouco e não tenho fome por um bom tempo. Acordei mais gordo do que quando cheguei da caminhada. Preciso fechar ainda mais a boca. Não vou andar hoje, eu acho. Por causa dos meus pés.

13h19. Conversei com a minha mãe e ela havia lido o meu blog e estava preocupado que eu entrasse na friend zone, achando que fosse um site ou um grupo online de pessoas sádicas ou coisa do gênero. Hahahaha. Isso é que dá ler as coisas por cima. Deve ter misturado a coisa do escravo da festa BDSM com friend zone e, adicionando sua neurose a meu respeito, criou uma coisa hedionda em relação aos meus hábitos de internet. Hahahahaha. Decerto não quero entrar na friend zone. Eu quero é sair dessa. Se bem que atualmente não me encontro nessa situação. E não vou entrar. Acho que sou maduro o suficiente e me dou mais a respeito para cair na esparrela de entrar numa situação social dessas. Que calor. Hoje está de lascar. Quando o casal sair, vou abrir a porta do quarto para que o ar circule. Ou ligo um pouco o ar só para esfriar o quarto.

13h36. Abri a porta, eles já foram. Ficou mais ventilado. O vento bate em mim e me acaricia. Mamãe deixou dez reais para o caso de eu ir andar. Não sei se vá. Queria me aventurar até o Recife Antigo, mas acho que seria demais. Se fosse amanhã me arriscaria, mas hoje... acho que não vou andar, deixar as assaduras nas coxas sararem e o pé parar de arder. Sei não. Só sei que amanhã não posso pois preciso arrumar as malas para a viagem. Pretendo levar duas para trazer o máximo de bonecos possível. Hoje as palavras me estão arredias. Não estou gostando da construção das frases. Mas vai do jeito que for. Vai ver estou esquentando ainda. Espero que a pessoa do ex-escravo, ela o dispensou aparentemente, não tenha ficado com raiva de mim. Se mamãe leu o meu post deve ter visto o meu interesse pelo Nintendo Switch. Ou ela não leu até o final. Sei lá, esqueci desse detalhe. Mas agora, agora, se um Nintendo Switch se materializasse já instalado aqui ao meu lado com o Mario, eu não jogaria. Aliás... é, não jogaria. Procuro dentro de mim a chama dos games e não encontro. Pode ser que se começasse a encarar eu acabasse sendo cativado pelo game, não sei. É um jogo cativante. Talvez me apegasse a ele. Lembro que o Mario 3D World me cativou e já estava nessa fase de refusal aos videogames. Me sinto ligeiramente entediado, mas sem a angústia de anteontem. Tudo corrobora para a minha teoria. Que bom. Definitivamente não é depressão. Foi um momento e teve uma causa. O que não ocorre hoje. Graças. Vou pegar um café e uma água. Posso usar o dinheiro da andada para comprar uma Coca-Cola, mas ela não me faz falta agora. Já vou me empanturrar de Coca no Natal da minha família paterna nesse sábado. Festa em que, em teoria, o meu amigo cineasta estará presente e fará filmagens. Estou muito arredio a filmagens, mas vou encarar. Vou ter que encarar. Se ele estiver mesmo motivado a fazê-lo. Vou até mandar um e-mail para ele.

14h33. Mandei. Vamos ver o que ele me diz. Eu sei que este post não está nada interessante, não há bizarrices como um escravo que é escravo por vontade de sê-lo. Para quem perdeu essa história, veja o post anterior. Para saber da angústia que me assolou também. Como não tenho assunto, acho que vou fazer um poema, vou tentar fazer um rimando, que é muito mais difícil. Gostaria de ter o auxílio luxuoso do Houaiss eletrônico, porém não sei onde está o CD. Ele permite a busca de palavras com a mesma terminação, o que é uma mãozaça na roda para quem procura rimas. Vamos com meu vocabulário pouco mesmo.

De todas as loucuras
Que nunca cometi
Tu é a que mais me falta
Pois o universo conspira melhor em ti
De todos os desejos guardados
Você é o que deveria sair da gaveta
E se materializar em agrados
De todos os sonhos
Que acordado sonhei
Você ser minha rainha
E eu ser seu rei
Isto está uma porcaria
Basta de rimas
Como você me bastaria

Ficou um tremendo lixo. Deixa para lá, rimas são para a liga dos profissionais. Como o cara conseguiu fazer um “Navio Negreiro”? É genial. Ou os Lusíadas? Um livro inteiro rimado. É preciso muita dedicação e esmero e um domínio ímpar da língua. Não é o meu caso, então se fizer poemas, limito-me a versos brancos. E nem isso, pois os meus não têm métrica. Não sei nem se podem ser considerados poemas. Dane-se. São a minha tentativa de ser poético.

Alva é a tarde
Que agora me cerca
E lembra a sua tez
Que saudade
Nem sei bem de quê
De algo que existe em você
Algo que ainda não conheço

Me ajuda
Para que eu lhe ame
De uma maneira desconhecida
Para você
Que está acostumada
A uma vida sem versos
A homens sem poesia
Homens mais vãos
Que eu

Me diz, me conta
Desabrocha para mim
Não temos muito tempo
Bem o sabe
A vida é um sopro
Um dia temos a juventude
Noutro a chama já se apagou

Vem, se apressa
Para que não percamos
Nem mais um segundo
Desse mundo
Tão cheio de sós
Tão carente
De nós

14h59. Vixe, mesmo sem rima ficou muito fraco esse. Mas vou deixá-lo aí. Vai que alguém goste. Acho difícil. Hahahaha. Bom, sobre o que falar agora? Estou eu e Dona Carmelita em casa apenas e em breve ela partirá também e terei a casa só para mim. Acho que vou ouvir “Utopia” alto agora. Se bem que a pasta Sandy e Nirvana está tão boazinha de escutar. E nessa altura. Volume 11, eu acho. Se for botar “Utopia”, vou aumentar para a casa dos 30. Não ouso botar mais que isso, dói nos ouvidos (o som vai até 40 eu acho). Estou com vontade de caminhar, mas meus pés ainda estão ardidos, não é uma boa ideia, posso acabar por fazer um calo e ter que voltar manquejando do meio do caminho. Deixa para lá. Qualquer coisa, vou na sexta. Estou sem assunto. O que sinto agora? Nada em especial, mas o verbo sentir está fortemente ligado à garota da noite nesses dias de minha vida, então penso logo nela. Mas é um sentir que ainda não se transformou em paixão. É uma sentir cheio de dedos. E um sentir preparado para não se ferir com a rejeição. É um sentir de quem não conhece de fato o objeto do sentimento. Um sentir que ainda é muito raso. Finalmente tirei um pêlo preso entre a gengiva e o dente, que alívio. Já estava pensando que fosse uma cárie. Acho que o engoli. O espelho do quarto da minha mãe foi crucial na extração do pêlo. Outra pergunta. Vamos ver. O que penso da viagem que farei daqui a alguns dias? Penso que vai ser melhor do que estou esperando porque estou esperando um grande terror e não pode ser tão terrível assim. Então estou otimista dentro do meu pessimismo por mais que isso soe um tanto paradoxal. E tenho a esperança de adquirir um Switch com os controles coloridos. Caso o adquira realmente, só vou comprar outro jogo depois que zerar o Mario e o Zeldinha. Espera, que o meu amigo cineasta acabou de responder o meu e-mail, preciso ver quais são seus planos.

15h29. Ele quer filmar desde a minha saída até a chegada na festa. Queria filmar eu fazendo as malas, mas isso vai acontecer amanhã, se tudo der certo. Com o auxílio da fantástica faxineira sob gerência geral da minha mãe. Começo a ter frio na espinha pensando na viagem. Está muito em cima, daqui a sete dias. Meu Deus. Vou pegar café e água.

15h37. O e-mail que respondi ao meu amigo cineasta ficou muito mal redigido. Estou escrevendo mal para dedéu hoje. Que ozzy. Mas seguirei escrevendo mesmo assim. Que outra pergunta eu poderia fazer para mim mesmo? O que eu acho da minha vida? Acho que sou afortunado, muito afortunado. Que brasileiro não queria passar o Natal nos EUA no meio da neve, exatamente como nas fantasias do inconsciente coletivo? Eu acho que poucos não gostariam. E eu me incluo nessa lista. Voltando à minha vida, acho que ela tende a ser um pouco pior do que está em 2018, pois acho que vou receber uma cortada da garota da noite e voltarei ao deserto afetivo. Por outro lado, pode ser que eu ganhe ou compre o Switch e volte a me apaixonar pelos videogames estou me autossugestionando para isso. Aliás estou me autossugestionando para várias coisas, ter coragem de abordar a garota da noite, perder o ranço com sexo, voltar a gostar de jogar videogames com o Zelda e ser uma pessoa melhor em todos os sentidos. Só isso. Hahahaha.

15h47. Meu amigo cineasta respondeu e até achou graça do meu e-mail. Ainda bem. Disse que aparece por volta das 11h00 do sábado aqui. Preciso me programar para acordar cedo. Sobre as malas, disse que nós fazemos uma “fakeada”. Não sei bem como, mas ele é o diretor, ele me orienta. De repente até minha mãe entra na jogada, explicando as escolhas das roupas. Sei lá. Ele é que tem o filme na cabeça, ele que decida. Eu sou apenas uma peça do quebra-cabeças imagético que ele tem em mente. “Quebra-cabeças imagético”, essa foi estilosa. Hahahaha. Cada palavra bonita e complicada para dizer tão pouco. Hahahaha.

15h58. Bom, voltando à pergunta, que acho a mais pertinente que eu poderia me perguntar; o que eu acho da minha vida? Acho que finalmente cheguei onde queria estar, fazendo o que a minha alma pede na maioria do tempo. Que mais poderia querer? Uma namorada, eu acho. Ainda estou incerto sobre isso. Mas acho que basta um novo encontro com a garota da noite para eu ter certeza de que quero. Estou me esforçando para emagrecer, pois minha alma pede, quero surpreender a garota da noite em nosso próximo encontro, que provavelmente só se dará no ano que vem, quem sabe já esteja quase sem bucho até lá? Essa mudança de visual certamente a surpreenderia positivamente. Tenho que me controlar nos EUA e não comer muita porcaria para não ganhar tudo de novo. Queria muito conseguir só encontrar com ela com dez quilos a menos. Já perdi três ou quatro. Ou mais. Pedi a meu irmão que não comprasse Cocas para mim lá. É só ficar com a boca fechada o máximo que posso. Eitá já são 16h16. Não vou mais andar hoje, definitivamente. Estou até sem ânimo. Poderia andar só até o Açude, mas não vou. Deixa para a sexta. Que acho da minha vida? Acho que há coisas que precisam de conserto. E para isso talvez a terapia me ajude. Ou não. Estou mais confiante em relação à hipnose que meu primo-irmão irá aprender. Se hipnotizável realmente eu for. Pode ser que haja algum bloqueio da minha parte. Mas ele disse que pode reprogramar coisas que eu queira realmente mudar e não consiga fazer sozinho. É justamente o caso com o sexo. Eu quero mudar, quero ver o sexo como uma coisa deliciosa e não como uma obrigação de satisfazer a minha parceira, o que é um pensamento deveras broxante. Especialmente para mim, tão avesso a obrigações. Tudo o que estou tentando me autossugestionar e já foi enumerado aqui precisa de conserto. São coisas que desejo mudar, mas não sei como. Não sei como ser mais ousado, saliente em relação às garotas. Queria voltar a gostar de videogames. Estou apostando as minhas fichas na hipnose. O que trataria na terapia resolvidos esses dilemas me escapa, pois não quero mais nada da vida. Minha vida é ótima, o que eu mais desejei na minha vida, fugir dos grilhões do mercado de trabalho e escrever apenas o que quero, aconteceu. Não sabia que isso me levaria a um crescente isolamento social. Um desaprender a lidar com as pessoas, uma crescente dificuldade de me comunicar com elas. Acho que esse desejo de ser mais comunicativo, sem ser tagarela, é outra coisa com a qual a hipnose pode me ajudar. Será que o procedimento também pode me ajudar a ter mais autoestima? Se for, todos os meus problemas existenciais estarão resolvidos. Não consigo pensar em mais nada que eu queira mudar em mim. Eu gosto da vida que levo, só não gosto muito de ser eu, embora goste muito mais do que gostava no passado.

16h49. Falando em hipnose, estou tentando me autossugestionar aqui, repetindo várias vezes frases motivacionais, pareço um doido repetindo elas em voz alta. Mas em vez de me focar em apenas uma, eu estou abordando todos os meus dilemas de uma vez só. E fico repetindo os comandos em voz alta. Ainda bem que estou sozinho em casa. O interessante é que o que mais repeti, eu vou conquistar e amar a garota da noite, está ressoando na minha cabeça agora. Quem me dera isso funcionasse. Preciso acreditar que funciona senão a mágica não se faz. E eu acredito.

17h00. Mandei para a garota da noite o seguinte, “eu vou conquistar e amar você. Seremos muito felizes. Prepare-se.” Hahahaha. Achei que as frases motivacionais serviriam como uma boa investida. E denotam uma autoconfiança da minha parte que eu não tinha. Ou não demonstrava. Ou não tenho. Eita, está me batendo uma insegurança monstra agora. Estou super-arrependido de ter mandado essa mensagem. Mas o que é que tem demais? Deixa de ser besta, Mário. O não você já tem, tem que arriscar mesmo, se mostrar autoconfiante, as mulheres gostam disso. Pelo menos dei uma de macho alfa. Que experimento curioso. As frases surtiram efeito, mesmo que passageiro, preciso reforçá-las frequentemente. As frases que estou repetindo? Ei-las:

- Eu gosto de mim;
- Eu gosto de fazer sexo, eu gosto de trepar, eu gosto de foder, eu gosto de meter;
- Eu vou emagrecer;
- Eu vou conquistar e amar a garota da noite;
- Eu sou feliz e serei muito mais feliz com a garota da noite;
- Eu sou comunicativo e legal, eu sou legal e comunicativo.

Em suma, são essas. Não lembro se repeti mais alguma. Empoderado pela repetição das frases, volto a achar que ter sido tão incisivo foi positivo. Não tenho muito a perder mesmo. Talvez essa frase seja ela mesma uma sugestão para a garota da noite. Veremos.

17h21. Mandar essa frase para ela foi tão não eu que ainda estou em dúvida se fiz o movimento certo. Preciso acreditar mais em mim. Taí uma boa frase para repetir, eu acredito em mim. Algo dentro de mim se remexe, é o meu eu lutando contra os comandos, querendo rejeitá-los todos, minha tendência de me autossabotar. Eu não vou me autossabotar. Outra frase. Acho que meu cérebro está acachapado com tantos comandos. Vou maneirar um pouco, senão vai dar tilt aqui. Eu e minha mania de querer logo tudo de uma vez só. Depois de repetir esse último comando, eu sinto novamente que fiz a coisa certa mandando a frase para ela. Agora só me comunicarei no Natal, que era o plano inicial, não tivesse eu esse rompante de autoconfiança. Eu sou um macho seguro. Outra frase. Assim eu vou ter mais comandos que um programa de computador. Hahahaha. O pior é que eu estou acreditando mesmo que isso vai operar profundas mudanças na minha vida. Tomara! Se eu acreditar “de com força”, eu acho que opere. Tenho que ter fé. E talvez eu me torne melhor em todos os aspectos que mencionei. Seria uma revolução da minha vida. Eu acho que aí nem precisaria da Singularidade, a minha vida terrestre, humana e limitada já me bastaria. Vamos ver. Eu estava pensando até em imprimir as frases para repetir todos os dias, mas se eu sei o que quero, não preciso de lembrete. Mas seria massa ter isso pregado na minha frente. Vamos ver. É muito íntimo para a fantástica faxineira ver. Minha mãe talvez leia isso, então não tenho muito como escapar. Sei que após repetir esses meus mantras me sinto muito bem. Espero que seja um sentimento que perdure. Já me aclimatei com a mensagem que mandei para a garota da noite, foi uma pequena engrenagem que criei na roda da existência. Vamos ver se surte algum efeito. É o tipo de mensagem que ela não vai responder nem vai marcar como vista provavelmente. Sei lá. O que será, será. Sei que me divirto com a brincadeira. É muito interessante brincar com a existência, ela é o melhor brinquedo. A vida é o melhor brinquedo. Estou com vontade de ter o Switch com os dois jogos. Acho que começaria pelo Zelda.

18h24. Escrevi uma parte agora dedicada à minha mãe, pedindo o Nintendo Switch, um par de controles extra e o Super Mario Odyssey, mas acho melhor conversar com ela pessoalmente. A diferença de preços em relação ao Brasil é bastante significativa, mais de mil reais (437 dólares, algo por volta de 1.440 reais nos EUA, contra 2.528 reais, sem contar os fretes, no Brasil). Como forma de aliviar esse valor, ou ajudar na compra, como queira, ainda me comprometeria a vender um boneco dos grandes e repassar o valor para ela, em reais, pois é a única forma que tenho de resgatar o dinheiro do PayPal. Acho que consigo vender o boneco pelo valor do console (300 dólares), aliviando assim a parte mais pesada da compra. Já sei qual vai ser a argumentação dela, dirá que eu tenho já dois videogames e um zilhão de jogos e não jogo nenhum, para que comprar outro? É uma argumentação válida. Não sei como contra argumentar, mas sinto que vou jogar esses dois jogos. Eu me apaixonei pelo Mario quando vi na casa do meu amigo jurista. E o Zelda foi escolhido o jogo do ano, batendo inclusive o Mario, então deve ser nada menos que espetacular. Farei o melhor para transformar esse sonho em realidade. E torcer que, em se realizando, eu me enamore novamente pelos videogames e jogue os que tenho aqui. Muitos eu sei que não vou jogar, não são espetaculares como os dois do Switch. Mas há jogos espetaculares aqui. Pelo menos uns 10. Red Dead Redemption (e sua versão zumbi), GTA V, Assassin’s Creed Black Flag, Tomb Raider, Uncharted 3, Rayman Legends, Mario Maker (maybe), Bioshock 3 (maybe), Okami, Flower (maybe), the list goes on…

19h03. Papo chato do caramba. Perdoe-me leitor(a). Estava mais divertida a parte da autossugestão e das elucubrações sobre a garota da noite, né? Bom, nada mudou de lá para cá. Me sinto melhor comigo mesmo e isso é surpreendente. Chego até a gostar de mim. Pelo menos nesse exato momento eu gosto de mim e estou super de bem com a vida. Que ótimo, que continue assim. Estava com receio da filmagem e fiquei repetindo “eu não tenho medo da filmagem” e isso de alguma forma me confortou mais. Não de todo, mas está melhor. Afinal, de fato, não há por que ter medo da filmagem. É uma ansiedade despropositada. Quem me dera na festa do ano que vem eu levar a garota da noite como minha namorada. O meu superego supercrítico e punitivo quer tentar minar as minhas pretensões com a garota da noite, só que dessa vez eu não vou deixar. Vou acalentar meus sonhos e tentar alcançá-los, se não conseguir, paciência. Eu estou repetindo agora “eu sou desenrolado com as mulheres que eu estou a fim”. Hahahaha. Se eu continuar a inventar frases acho que isso não vai surtir muito efeito. É muita informação para um cérebro só. Mas é uma maniazinha gostosa essa de repetir em voz alta frases motivacionais, que reforçam os desejos e atitudes que normalmente teria dificuldade em lidar ou tomar. Vamos ver se continuo com ela e se ela surte algum efeito prático. Já surtiu um, a ousada e confiante mensagem que mandei para a garota da noite.

19h33. Minha mãe e meu padrasto chegaram. Já testei o casaco de neve dele e cabe em mim. Um problema a menos para resolver. Já avisei a mamãe que amanhã quero estar com as malas prontas. Coloquei uma camisa para vestir o casaco, estava sem camisa esse tempo inteiro por causa do calor, e sinto como é desconfortável ter panos sobre o corpo. Desconfortável, porém útil no frio que vou pegar.

19h42. Pedi a mamãe que fizesse uma garrafa de café para mim. Ela concordou. Quem me dera encontrasse igual boa vontade em relação ao Nintendo Switch. Hahahaha. Nessa questão não há frase motivacional que repita que vá me facilitar dobrar a véia, é uma coisa que depende mais do outro que de mim. Não sei como escrevi sete páginas sem ter assunto nenhum. De novo me surpreendo. E sempre me surpreenderei. É quase como se não fosse algo meu. Só relendo relembro as passagens, pois agora, lembro apenas da parte das frases motivacionais e do videogame. Não sei o que escrevi antes. O receio em relação à filmagem, se dissipou. Talvez quando se aproximar mais, a ansiedade ressurja. Mas, de fato, não há por que ficar ansioso. Se estivesse no lugar do meu amigo cineasta aí, sim, ficaria ansioso, mas sendo do jeito que é, é só relaxar e curtir o dia, ser eu e fingir que a câmera não existe. Tomara que eu consiga emagrecer em vez de engordar nesse final de ano. Quero ser todo outro, para melhor, quando reencontrar a garota da noite. Esse quando é que é uma incógnita. Puxa fui ousado na minha mensagem, chega me dar um frio na barriga agora. Mas acho que fiz a coisa certa, certamente me distanciei da friend zone com isso. Parti para o tudo ou nada. Que calor da murrinha, tive que fechar a porta por causa do meu padrasto e ainda botei a camisa a pedido da minha mãe, então está uma sauna aqui. Já-já ligo o ar. O que diria para a garota da noite? Mais nada por ora. Acho que já disse o que tinha que dizer. Deixei o meu recado de forma muito incisiva. Acho que vou jogar um pouco de videogame senão este post vai ficar com doze páginas. Mas não estou com saco de jogar videogame agora, quero escrever. Vou seguir minha vontade. Estou com medo de trabalhar a frase “eu gosto e quero jogar videogame” e não funcionar. Pois, em não funcionando, todo o sistema de crenças nos outros comandos pode colapsar junto. E isso é a última coisa que quero. O que gostaria de dizer para a garota da noite quando a encontrar? Está preparada? Se ela perguntasse para quê? Eu responderia para ser conquistada e amada por mim? Hahahaha. Mas sério, se tivesse a autoconfiança, a segurança e a hombridade que me cabem, diria assim mesmo, na lata. Mas isso é só uma projeção. Do eu de agora até essa figura capaz de falar isso vai uma longa distância. Seguirei repetindo as minhas frases motivacionais e quem sabe essa autossugestão não me transforme no cara mais confiante com as mulheres que sempre quis ser? E se meu primo já estiver dominando a hipnose, ele pode me dar uma superforça, caso eu consiga me submeter à hipnose. Tenho receio de inconscientemente rejeitar a coisa. Espero que não.

20h38. Fui colocar os remédios no negocinho de remédios, que não sei se tem nome, é um com os dias da semana, a pedido da minha mãe. Ela já vai dormir e já fez o café para mim, tomei uma xícara ainda agora. Ela veio me dar boa noite e disse que a viagem iria ser boa. Espero que ela esteja certa. Eu vou gostar da viagem. Taí outra frase para eu repetir. Ah, por isso o Vaporfi estava queimando e ardendo tanto na garganta, mais do que o habitual, estava numa potência alta que nunca uso, o controlador deve ter rodado enquanto estava no meu bolso. Entrei na oitava página e não quero parar de escrever. Vou ver quantas leituras teve o meu outro post. 33 visualizações, tá ótimo. Finalmente lançaram um dos bonecos que cancelei a compra e o acabamento dele me decepcionou, afora ser feito de tantas partes que parece um quebra-cabeças. Ainda bem que desisti ou ficaria bem decepcionado com o resultado final. Como de fato fiquei, mas na posição em que estou isso me veio como alívio. E acho que mesmo se a versão final tivesse ficado equivalente ao protótipo, eu não ficaria arrependido de tê-lo cancelado. Bem, só um pouquinho. Eu quero ver se seleciono só a nata da minha coleção, da parte que está nos EUA, e o resto eu vendo. Minha febre de bonecos passou. Só são para mim imprescindíveis, além dos que tenho aqui, a Captain Marvel, o Thing, o Hulk e a Red Sonja. Talvez o Skeletor. Dos pequenos também dá para vender um bocado, eu acho. Eu sei, eu sei, bonecos são um assunto tão chato quanto games para os não iniciados. E não conheço ninguém que colecione bonecos além de mim. O calor passou mais. A vida segue macia. Sinto uma pontinha de orgulho por ter tido a coragem de mandar uma mensagem como aquela para a garota da noite. Eu tenho me surpreendido em relação às minhas investidas para cima dela. Primeiro, gravei um vídeo de mim cantando, o que é me expor muito mais do que gostaria. Depois mandei um poema, o que não fiz para nenhuma das minhas namoradas e, por fim, dei um direto no queixo. Que seja, a vida está aí para ser experimentada, tentada da melhor forma, apreciada. E apreciaria bem mais tendo uma namorada como a garota da noite. Só falta ela responder algo do tipo, vai sonhando. Me sairia com um, sonhando eu já estou, agora só falta ancorar esse sonho na realidade, que é o que estou fazendo. Hahahaha. Que resposta ousada essa. Hahahaha. Será que eu teria coragem de mandar isso? Creio que sim. Perdido por um, perdido por mil ou coisa do gênero. Eu repeti agora uma porrada de vezes, eu vou voltar a gostar de jogar videogames com Zelda e Mario. Pense numa frase grande para se repetir. É quase uma trava-língua. Mas esse post está muito inútil. Ou não? É a minha vida, é o que tenho a oferecer. Eita, ela está online agora. A garota da noite. Mas não tenho coragem, aí é demais para mim, depois daquela mensagem, puxar um papo. Realmente não saberia o que dizer. Deixa a mensagem e pronto. Capaz de ela me bloquear, quando vir. Sei lá. Sei lá o que vai na cabeça da garota da noite. Vou pegar café e água. 21h29.

21h37. Ainda é cedo, amor. Quem sabe mais para a frente, armado de um corpo mais esbelto e de segurança, se a tal da autossugestão funcionar, você não se torne realidade, hein, amor? 70% depende de mim, saber fazer o approach e tal. Os outros 30% dependem da garota da noite. Se ela não corresponder, fico no zero a zero em que me encontro. Não perco nada tentando. Essas coisas do coração deveriam ser mais fáceis. E se ficarmos e ela quiser transar logo no primeiro encontro? Espero que não. Não sei como vai estar a minha confiança sexual até lá e acho que ela não seria tão fácil assim. Não para mim. Para onde iríamos se ela quisesse transar, eu que sempre ando com pouco dinheiro, não teria como pagar um motel, ou ela pagava e depois eu acertava (que ridículo) ou iríamos para a casa dela ou a minha. Minha mãe iria ficar escandalizada de eu trazer uma desconhecida para dormir comigo. Acho que teria que colocar uma mensagem na porta dizendo, não entre, estou acompanhado. Hahahaha. Que situação. Além disso teria que pegar a chave do quarto de hóspedes e trancar a minha porta para dar tempo de nos recompormos se fosse o caso. Peraí, já estou escrevendo um conto aqui sobre uma hipótese praticamente impossível. Que sandice. Mas é fato que não tenho para onde levar a garota da noite para transar numa primeira ficada. Então fica combinado assim, não transarei na primeira ficada. Se ela perguntar por que, eu digo que não tenho grana para o motel. Que esdrúxulo. Para tudo. Isso tudo é ficção. O que eu fiz foi mandar uma mensagem mais saliente para uma garota que mal conheço. Só isso. O resto todo é viagem da minha cabeça. Projeções estapafúrdias. Nossa, como me deixo levar. É porque é divertido criar essas ficções baseadas no meu cotidiano. Esse post está enorme. Deixa para lá, quem quiser que leia. Duvido que alguém chegue até aqui. Vai parar muito antes. Não tenho uma vida ou uma narrativa tão engajantes assim. Pelo contrário, em especial quando desato a falar de bonecos e videogames como fiz aqui. Nem minha mãe tem saco de ler o post todo, imagine um desconhecido. Deixa, está me preenchendo o tempo de uma forma saudável e divertida, é o suficiente para mim. Se o menino quer escrever, deixa ele escrever superego. Mas tu és muito chato mesmo, viste? Cara, como desgosto do meu superego, minha luta eterna é contra ele, deixar de ser tão autocrítico. Vou ser menos autocrítico, taí outra boa frase. Mas eu tenho medo de ser menos autocrítico, tenho medo de me tornar mais ridículo do que já sou. O superego é pernicioso, me ameaçando. Eita, coisinha chata. Quase me convence agora que eu tenho que ser autocrítico como sou. Acho que um pouquinho menos já operaria milagres. Mudarei a frase para serei um pouco menos autocrítico. Aí agrado ao id, ego, superego e quem mais habitar a minha personalidade. Sei que sou muito pouco crítico a respeito do que escrevo, mas poderia levar essa forma mais leve de ser para a vida também. Talvez, então, não precisasse escrever tanto para me sentir livre. Preciso lembrar de pegar um xampu na despensa. O meu acabou. O sotaque do interior de São Paulo que Sandy carrega tem seu charme para mim. Mas ela tem uma mão horrível, lembra a da minha bisavó. Mão de velha mesmo. Ou assim ficou impresso na minha cabeça por ser a primeira mão de velha que eu vi na vida. Ou na qual pude me ater mais. As mãos da garota da noite acho que são belas. Isso conta muito para mim. Os pés não, mas as mãos... meu irmão, só estou escrevendo besteira. Para, superego, deixa eu me divertir aqui. E daí que só escrevo besteiras? É o que me dá na alma escrever, oras. Não vou parar mesmo que este post fique com cem páginas. Vou escrever até me saciar de dizer por hoje. E não estou nem perto disso. Não, não quero fazer poesias. Pelo menos não no momento. Fui procurar fotos que mostrassem as mãos da garota da noite e tenho as imagens impressas na minha mente. Por falar indiretamente em visão, preciso fazer o exame de vista e trocar a armação dos meus óculos assim que voltar da viagem, é outra coisa que fala mal de mim, pois a minha armação soltou uma lasca e está com uma parte branca. O resto da armação é de um marrom escuro, logo é muito perceptível essa falha que sugere desleixo. Preciso consertar isso. Não é a imagem que quero passar. Condiz com quem eu sou, mas não precisa ficar explícito na minha cara. Quando acabar de pagar os bonecos que faltam, vou querer fazer a barba a cada 15 dias. Acho que o que estou economizando de Coca já cobre as aparadas de barba. Vou falar com minha mãe sobre o assunto, se me lembrar. Estou quase pedindo para o meu irmão comprar o Zeldinha para Switch, em vez de para Wii U. Não gosto do controle do Wii U, muito grande e pesado e aposto que a interface do jogo vai mostrar os itens pela tela do controle, o que acho muito chato. Apanhei muito no Zelda Wind Waker por causa disso. Prefiro que o mundo do jogo pare enquanto escolho o que vou usar, o que não deve acontecer na versão do Wii U, mas que acho que deva acontecer na do Switch. Mas não vou fazer esse pedido agora ao meu irmão sem ter certeza se poderei ou não comprar o console. Aliás, tenho quase certeza que não. Construir intimidade... há quanto tempo não faço isso? Será que a garota noite permitirá que me imiscua nas suas intimidades? Acho tão difícil. Mas não recebi um fora ainda, então tudo está suspenso no ar. Suspense. Pense numa coisa dessas, eu dando diretas para uma garota. Hahahaha. Da última vez que fiz isso, funcionou. Mas a última faz tanto, mas tanto tempo. Será que ainda funciona? Se a minha transformação física se operar, assim como a da minha atitude e postura. Se me tornar mais afoito e confiante e menos inseguro e derrotista, há alguma chance. Vixe, só de pensar nisso, a minha insegurança se infla toda me encobrindo. Eu acho que esse negócio de autossugestão não vai funcionar. Mas vou seguir tentando. Teve uma frase que me veio ao longo do texto e cuja repetição encontrou um bloqueio forte dentro de mim e é uma frase importantíssima, eu confio no meu taco. Repetir isso para mim mesmo me gerou um desconforto, como se estivesse mentindo demais para mim mesmo, que essa eu não consigo engolir. Será que se continuar repetindo isso vá minando essa resistência? Não custa tentar.

22h48. Desceu melhor com as repetições, mas ainda estou incrédulo disso. Seu eu não confio no meu taco, quem há de confiar? Isso é fundamental mudar. Primordial. É que nunca confiei em mim, é uma mudança muito brusca de personalidade. Por mais que tenha me dito frases semelhantes, essa parece ser o dedo bem no meio da ferida. Eu confio no meu taco. Eu preciso confiar no meu taco. Pronto, eleita a frase que vou me repetir. Eu confio no meu taco. Sempre achei bonito quando alguém dizia com uma mistura de orgulho, honestidade e confiança, eu confio no meu taco. Por que não posso eu também confiar no meu? Por que não posso confiar em mim? Sei que muitas vezes me traí, mas isso é passado, agora é agora e o passado são lembranças, fantasmas. Uns bons, outros maus, alguns terrivelmente péssimos, outros divinamente maravilhosos, tenho fantasmas do umbral ao paraíso. Como todo mundo tem. Não sou (muito) pior do que ninguém. Por mais que eu creia que seja. Eita. Luta interior grande agora, mas é uma luta que precisa ser travada, para eu me tornar alguém melhor comigo mesmo e consequentemente com o mundo, especialmente com a garota da noite. E se não for ela, será outra. Não sei quem, mas não é possível tanta solidão. Eu tenho que confiar no meu taco. Tenho que ir dormir e acordar repetindo isso. Quem sabe algum dia eu incorpore essa confiança. Não acho que esse negócio de autossugestão funcione do dia para a noite, por mais que já tenha me causado uma sincero bem-estar comigo mesmo.

23h03. Meu superego veio com tudo agora. Me peguei me perguntando a quem eu estou tentando enganar. Não é autoenganação é autossugestão, superego. É diferente. Eu estou tentando me recondicionar e mudar alguns paradigmas essenciais na minha vida. Deixa de ser carrasco de mim. Que saco. A verdade é que sempre achei meio petulante as pessoas dizerem que confiam nos seus tacos. Mas pensar assim é um equívoco. Eu preciso de autoconfiança, todos precisam de autoconfiança para conquistar algo. Eu preciso confiar no meu taco e é isso que eu vou ficar repetindo, até, quiçá um dia, incorporar.

23h20. Parei de tomar café, senão não durmo, tomei os remédios, coloquei o xampu no banheiro e estou esperando só a fome da medicação bater para comer, tomar banho e ir dormir. Mas ainda demora um pouquinho para tudo isso. Enquanto isso escrevo. Esse foi um post singular. Talvez ele marque o início de uma reinvenção de mim. Talvez não também, como brada o superego tentando a todo custo manter o território conquistado. O peso de uma vida inteira me achando menos é difícil de se desfazer. Quero apenas me achar igual, nem pior nem melhor que ninguém. Quero confiar no meu taco. Não temer os demais. Olhar nos olhos. Não me intimidar ou acanhar. Estou acreditando mesmo nessa de autossugestão, que coisa. Fato é que me sinto melhor do que antes de começar esse processo. Eu posso dizer que gosto de mim. Nunca havia dito isso antes de hoje. Eu gosto de quem eu sou hoje, agora, talvez amanhã. Talvez daqui por diante. Se levar um fora, levei, nem isso vai me demover do meu recém-adquirido amor-próprio. Assim espero. Farei o meu melhor para que não ocorra. Estou enamorado de mim hoje, pela primeira vez. É uma sensação de leveza na alma, um alívio e um prazer. Como pude viver tanto tempo sem isso? 40 anos. Tinha que desencantar um dia. Mesmo que só por hoje. Mas acredito que não será só por hoje. Ao mesmo tempo tenho muito medo do amanhã. De acordar me sentindo um bosta. Sei que ficarei titubeando por algum tempo até ter introjetado esse amor-próprio de forma mais profunda e definitiva. Mas vou começar repetindo as minhas frases motivacionais se isso me fez e faz bem. Tenho quase vergonha desse texto. Na verdade, deveria ter orgulho, pois peguei uma dica do meu primo-irmão e estou conseguindo operar um verdadeiro milagre na minha autoimagem. Quem me dera isso não fosse um arroubo passageiro, um amor de uma noite só e que vingasse dentro de mim. E frutificasse para as minhas ações e para a forma me exercer no mundo. Não sou pior do que ninguém. Quem eu sou hoje é uma pessoa válida, apesar de todos os contrapesos que me puxam para baixo. Os rótulos negativos (viciado, curatelado, bipolar, feio, gordo). Sou tão mais que esses rótulos, passei muito tempo me limitando por eles e acrescentando novos rótulos para me afundar em mim mesmo, para ter vergonha de mim. Hoje sinto que não preciso ter vergonha de mim. Sou do jeito que a vida e as escolhas me fizeram, mas, ei, sou eu aqui e eu preciso me amar um pouco também, me punir um pouco menos, me rebaixar bem menos, não me rebaixar at all. Não vão gostar mais de mim por eu ser o coitadinho. Isso foi uma coisa que internalizei na infância ainda, emulando a forma como o meu pai mendigava carinho. Está na hora de mudar isso, parar de mendigar carinho e ir buscá-lo. Está na hora de confiar no meu taco. Parar de ser uma criancinha amedrontada e acuada pelo mundo. O mundo também é meu como de qualquer um. Preciso tomar a parte que me cabe nas mãos e saboreá-la. Sem culpa, sem me botar para baixo, sem vergonha de quem eu sou. Em suma, eu preciso confiar no meu taco que é ele o que tenho para enfrentar o mundo. É a confiança em mim, sem exageros narcisistas. Vou ter que aprender os limites entre uma coisa e outra não posso também passar da água para o vinagre. Preciso ficar vinho. Não precisa nem ser de uma boa safra. Uma Mário ano 77 está de ótimo tamanho. É o que tenho. Tenho que valorizar, tenho que gostar do meu sabor e melhorar a embalagem. Ninguém é perfeito. Eu que sempre quis ser perfeito, só fiz falhar miseravelmente. E o meu fracasso destruiu a minha autoestima. Agora me contento em ser normal. Simples assim. Nem mais nem menos. Normal, na média, com alguns pontos negativos e outros tantos positivos. A garota da noite já sabe de tudo o que tenho de ruim. Essa etapa dos rótulos negativos já foi mandada logo de primeira para que não achasse que levou gato por lebre. Agora tenho que mostrar o meu lado bom, que eu nem sei direito qual é, pelo menos hoje eu tomei conhecimento que eu tenho. Que eu sou uma pessoa gostável. Se até eu que sou supercrítico estou gostando de mim hoje, de ser eu, mesmo estando gordo e velho, as outras pessoas podem gostar também. Me sinto mais sadio mentalmente como não me lembro de ter sido. É hora de jogar os podres para debaixo do tapete um pouquinho. Não expô-los como troféus no meio da sala do meu ser. Basta disso. Sei que esse caminho não leva a lugar nenhum que valha a pena de existir. Quero uma existência mais solar, como agora experimento. É um sentimento ótimo. E não tenho vergonha dele. Vamos ver se isso se reflete no outro, nos demais. Acho que estou sendo muito ufanista de mim. Acho que preciso maneirar, eu que tenho as asas de cera. Eu só preciso confiar em mim e gostar de mim. Aceitar as minhas limitações e lembrar que um tetraplégico, com limitações bem mais severas que as minhas é capaz de ser feliz. Por que não eu que tenho tudo? Não devo tampouco me envergonhar de ter tudo. A fortuna me bateu à porta e eu a acolhi como qualquer outro(a) faria. Não preciso me sentir culpado. Ninguém sabe o sofrimento que passei antes de a fortuna sorrir para mim. Eu estou até me sentindo inteligente hoje, por conseguir adaptar a sugestão de exercício que o meu primo me deu aos meus próprios interesses. Acho que estou superexcitado pelo café. Ou um santo baixou em mim. Sei lá. O que sei é que hoje me senti um ser humano válido, com o mesmo direito que os demais de estar caminhando sobre a Terra em busca de uma felicidade expandida por um amor. E caso fracasse nesse intento, não posso esmorecer. A possibilidade de fracassar é enorme. Que perca a guerra, mas que batalhe até o último suspiro. Sem me sentir inferior aos demais homens. Porque não sou inferior a eles. Sou diferente, talvez um pouco diferente demais, mas mesmo assim válido. Gosto de ser diferente, mas gosto ainda mais de gostar de mim. É gostoso demais sentir isso. Estou com medo, de isso ser só excitação do café. Vamos ver como acordo amanhã. Isso será a primeira prova de fogo. Se eu estiver certo nas minhas especulações, as pessoas aqui de casa sentirão a mudança em mim sem que precise anunciá-la. Vamos ver. Em teoria amanhã estarei mais feliz que de costume. Espero que minha mãe não ache que estou entrando em hipomania. Espero que não seja hipomania. Não acredito que seja, acho que passei a acreditar mais em mim, no meu potencial. Potencial de fazer o que eu ainda não sei, é tudo muito vago para mim, uma luz difusa, silhuetas do que eu quero ser. Acredito que aos poucos a coisa se torne mais nítida. Tudo porque repeti um bando de frases de efeito para mim mesmo. Pode ser que o título do próximo post seja “ESQUEÇAM TUDO O QUE FALEI NO POST PASSADO”, mas acredito fortemente que não vai ser o caso. Eu passo a acreditar mais em mim. É ainda muito pouco, talvez frágil. Mas a repetição dos meus mantras talvez funcione realmente. E eu me remodele internamente de forma consistente e duradoura. Só faço me repetir aqui. Isso está muito chato. Ai, ai, mas creio que essa oscilação se dê porque estou no período de transição entre o meu antigo jeito de ser e o novo que cultivo. Estou num limbo existencial, tentando passar de um estado interior anterior de ser para outro, novo e melhor em todos os sentidos para mim. Vou me botar em primeiro lugar na minha vida, espero que sem egoísmo, sem narcisismo. De boa. Comigo e com o mundo. De boa com a minha condição, mudando o que dá para mudar. Por incrível que pareça as preocupações com a viagem evanesceram, o que me põe uma pulga atrás da orelha. Mas me sinto sinceramente preparado para a viagem e para as interações. Manterei a minha rotina de escrever, também não virei o ser mais social do mundo, ainda tenho vergonha, mas vou mais confiante de ser eu mesmo. Pelo menos por hoje. Tomara que amanhã acorde com a mesma vibe. Que permaneça nela ad infinitum. Não quero parar de escrever com medo que eu me perca desse sentimento que me toma. Só falta eu confiar no meu taco. Nas coisas para as quais eu posso confiar no meu taco. Não confio no meu taco para operar um Airbus, por exemplo, seria nonsense. Mas se quisesse isso, não teria porque não buscar, porém já encontrei o meu lugar no mundo, na escrita, onde me sinto em paz, no mais das vezes. Pode não ser muito para os demais, mas estou pouco me lixando para isso. Alguns leem e até curtem o que escrevo. Digo e me deixo para o mundo. É isso que faço, com ou sem qualidade, não sei e não me importa também. A fome dos remédios está batendo, vou comer, tomar banho e dormir. Preciso confiar no meu taco sem perder de vista a autocrítica sensata. É um equilíbrio tênue da alma, mas que estou ansiosíssimo para alcançar. Vou lá comer e tomar banho. Se tiver disposição escrevo um pouco mais. Estou curioso para ver as minhas impressões de mim amanhã. Sei que hoje estou feliz comigo mesmo. Quase orgulhoso pela evolução conseguida. Resta saber se não é coisa efêmera. Quando acordar amanhã descobrirei. E recitarei os meus mantras para mim mesmo. Já fui redundante demais. À refeição.

1h01. Comi e tomei um banho normal, não foi um megabanho, não estava com disposição. Mas me limpei bem. Estou um pouco menos radiante que no parágrafo anterior, mas radiante ainda. Acho que é o sono. Acho que vou comer um pouco mais. Estou com fome. Mortadela com arroz. Nada menos dietético. Mas vou encarar. Ou exerço minha autodisciplina e durmo com a barriga meio vazia? Acho mais salutar essa segunda opção. Ela levanta mais a minha autoestima. Mostra a mim mesmo quem tem as rédeas da minha vontade. Estou com sono. Vou ligar para o meu irmão amanhã para ver se ele segura a compra do Zelda. Switch ou não Switch, eis a questão. Tomara que minha mãe permita uma última investida no mundo dos games. Isso me faria mais feliz do que eu já sou. Como meu astral mudou da segunda para hoje. Vou repetir frases antes de ir dormir. Será a minha prece diária. Ao acordar e ao ir dormir. E em qualquer outro momento que eu achar válido. Como passo muito tempo só, eu posso repetir a esmo. Estou com fome mas resistirei. Queria muito que minha mãe me desse essa última chance me deleitar com videogames. Seria o bicho. Ela nem pode saber o quanto. Se não acontecer não será o fim do mundo, mas estou tão excitado com essa possibilidade que sentiria uma grande frustração se não ocorresse. Bem veremos. Termino o dia de hoje gostando mais de mim, mais satisfeito com quem sou da forma como sou e com isso gosto bem mais do resto da existência também. A existência possui coisas terríveis, tragédias inomináveis, mas também é de uma beleza ímpar. E me atenho mais à parte boa. Não vou virar Polyana, mas uma dose de otimismo frente à vida não pode ser uma coisa má. Ao menos para mim não é. Já salvei os três itens do Nintendo Switch que preciso na minha lista da Amazon. Caso mamãe se decida a comprar, caso a convença em verdade, é só mandar os links para ela. Ou eu e meu irmão vamos até a Gamestop mais próxima e compramos em dinheiro lá para não estourar o cartão de mamãe. Ela que decide. Novamente escrevendo ficção aqui. Dessa vez, a realização do sonho depende 30% de mim e 70% de mamãe. O que aumenta a improbabilidade enormemente. Quando tiver uma brecha de tempo amanhã vou ler o artigo sobre autossugestão do Wikipédia. Parece que há umas dicas lá. Vou tentar ler agora.

1h58. Não me acrescentou muito. Acho que tudo depende da fé cega que eu deposito nas frases que repito. Acho que é isso que faz efeito em mim. Vou me preparar para dormir. Até depois do meu sono.

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12h41. Eu já acordei a repetir frases. Estou em dúvida se isso funciona mesmo. Mas, como dizem, uma mentira repetida muitas vezes, torna-se uma verdade, vamos ver. A sogra da fantástica faxineira morreu e ela precisará sair até minha mãe chegar, logo não poderá fazer as minhas malas hoje. Espero muito que venha no sábado e arrume a mala com mamãe. O meu desejo pelo Nintendo Switch permanece. Espero que seja mais do que isso e que eu realmente jogue os games, se conseguir convencer minha mãe a comprar. Tenho firme convicção de que jogarei. E espero que isso me faça pegar gosto pelos games em geral de novo. Dessa parte não estou muito confiante, mas já repeti hoje a frase motivacional em relação a isso.

13h13. A fantástica faxineira estava dando uma geral no meu quarto antes de partir. Aproveitei para repetir frases. Vou investir todo o meu tempo ocioso nisso. Segundo li, até quadros clínicos foram melhorados e até curados pela autossugestão, só não entendi se através da hipnose ou da mera repetição de frases motivacionais. Sei que estou meio que viciado nisso. É gostoso para alma me ouvir dizendo coisas tão positivas sobre mim mesmo. E por esse expediente apenas já é recompensador. Muito melhor do que ficar me denegrindo. Mal pelo menos não faz. Acho que vou jogar o jogo do Toad hoje. Agora.

13h51. Joguei algumas fases, foi bom. Só não gostei da do carrinho pois não consegui entender os controles. Parece que usa o giroscópio do controle, mas não captei como. Talvez tivesse de ter olhado para a tela do controle. É por isso que não gosto do controle do Wii U, não gosto dessas frescuras. Esse repúdio acho que foi me dado pelo PS3, que se joga sem frescura. São os sticks, os botões e pronto. Sem precisar ficar girando o controle ou segurando ele no ar como um visor. Vamos ver se o Switch sai para mim, aí os posts vão diminuir consideravelmente. Hahahaha. Estou ouvindo a discografia do Right Said Fred. Acho que vou botar em modo aleatório. Meu celular descarregou. Minha mãe vai ficar superpreocupada com isso, mas basta ela ligar para casa que eu atendo. Aposto que vou achar o que escrevi ontem ridículo.  Vou logo revisar e postar isso. Vixe, vai ser um saco revisar, está com 14 páginas de Word.


15h17. Acabei de reler e não sei se revisei direito. Muito texto. Não me envergonho do que escrevi. É uma fé nova que descortinei. Continuarei repetindo os meus mantras, equanto fizer sentido para mim. Como disse, mal não faz. Vou postar isso.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

DO DOMINGO ATÉ O ESCRAVO



Li coisas aterrorizantes sobre friend zone. É um perigo que me ronda. Não tanto quanto antigamente. Mas tenho que ser menos lambe-chão. Tenho que ser menos doce. Tenho que assediá-la menos. Tenho um medo de me pelar de encontrar com ela. Ao mesmo tempo sou tomado de imensa vontade de revê-la. Estou entre a cruz e a espada. Só cruzei com ela três vezes na vida. A receptividade dela é misteriosa. Não sei mais o que dizer no momento. Não estou com vontade de dizer nada. Gostaria que meu primo-irmão voltasse a escrever para o seu blog. Eu estou me sentindo entediado hoje e cometendo vários erros de digitação. Hoje teria ou está tendo o maracatu do meu primo. 16h32. Minha mãe e meu padrasto saíram para almoçar há cerca de duas, três horas. Me deixaram 20 reais para eu comprar algo para comer. Disse que compraria uma Coca, mas estou sem vontade ou disposição suficiente de fazê-lo. Poderia ir comer uma coxinha com pastel na Praça, seria uma novidade, mas acho calórica demais para quem quer perder o bucho. Será que pessoas bonitas acham a si mesmas bonitas? Se encantam com a sua imagem como Narciso? Acho que todas as pessoas com autoestima se acham interessantes. Coisa que preciso trabalhar na terapia, essa bendita falta de autoestima. Passarinhos cantam à minha janela e se encaixam perfeitamente às músicas de “Utopia”. A filha da amiga da minha prima ontem, uma garota entre os 15 e 20 anos, estava com um decote de tirar o fôlego. Era difícil não olhar para os seus seios. Olhei o mínimo que consegui. Ela também estava bem deslocada e muda lá. Achei a roupa de uma ousadia que beirava o vulgar, mas sem dúvida, se o intuito dela era chamar atenção para os seus seios, conseguiu magistralmente. Eram seios bonitos, fartos, mas não demais, com algumas estrias, provavelmente frutos do desenvolvimento rápido dessa parte do corpo durante as transformações físicas da puberdade. A juventude feminina é a coisa mais bela que existe. Gostaria de saber a idade da garota da noite, embora não me importe muito. Talvez ela se incomode com a minha idade, isso, sim. Espero que não. Psicólogas, creio são mais tolerantes quanto a esses tabus. O que eu quero agora? Coragem para comprar uma Coca Zero em frente de casa. Acho que vou lá.



17h15. Estou miserável nas interações sociais de hoje. Estou com vergonha do mundo. Estou com vergonha de mim. É até estranho ter Coca para beber. E ela me desce mais ácida do que eu me lembrava. Acho que vou dizer para o meu irmão não comprar Coca para mim nos EUA.

17h37. Foi muito bom falar com meu irmão. Eu o amo profundamente. Pude sentir isso. Disse-lhe para não comprar Coca e desabafei que estava antissocial. Ele meio que me tranquilizou. Mas não muito. Pelo menos está avisado de que serei antissocial. Ele disse que dormirei no escritório. A palavra escritório me reconfortou bastante, pois tem a aparência de que dormirei sozinho. Tomara, odiaria repartir o quarto com o tio da minha cunhada, ou com qualquer pessoa, mesmo a minha mãe. Embora a minha mãe seja a companhia mais aceitável para mim. Bem, veremos. Ele disse que vou ouvir o barulho todinho da casa. Talvez seja um recanto aberto, não um quarto. Bom, o que for, terei que enfrentar. Queria um Nintendo Switch. Mais do que o Switch, eu queria que a garota da noite e eu nos encantássemos um pelo outro. Mas acho que isso se se der, vai ser só em 2018. Quem será o nosso próximo presidente? Se Luciano Huck com aquela cara engraçada conseguiu conquistar Angélica, por que eu com a minha cara engraçada não posso conquistar a garota da noite? Porque eu não tenho a atitude e a autoconfiança dele, oras. À distância, pelo computador, sou muito mais corajoso, diria que até ousado. Hahahaha. Não tem graça nenhuma. Preferia que fosse o inverso.  Talvez aí já tivesse levado o meu fora. Hahahaha. Deixa de ser derrotista, rapaz! Você fez homenagens que poucos homens do Recife fariam. Muito poucos, eu creio. Eu preciso estar envolto numa aura de mistério segundo os conselhos da internet. Eu preciso acreditar mais em mim. Mas, e o sexo? O sexo se tornou um grande tabu para mim, tudo coisa da minha cabeça. Espero que meu primo-irmão aprenda logo a hipnose para ver se me tira essa trava e me bota mais atirado, afoito em relação às mulheres. Nossa, quando começo a beber Coca eu piso fundo. Já bebi um litro mais ou menos desde aquela hora e não quero parar de beber. Entretanto, tenho que me segurar, pois quero ter Coca para o resto da noite. Acho que vou dar um tempo e beber água. 18h19. Minha mãe ligou me perguntando o lanche que eu queria do McDonald’s. Mandei um WhatsApp para ela. Deixo intencionalmente o iconezinho do Messenger da garota da noite aberto no meu celular, me dá uma falsa impressão de proximidade. Me dá uma sensação boa, deixa eu fantasiar enquanto fantasiar ainda é possível. A dura realidade virá espatifar minha cara contra um muro de rejeição, é o que prevejo. A não ser que de alguma forma eu tenha a tocado com o que reparti com ela. Não é de todo impossível. Talvez ela tenha desenvolvido uma ligeira curiosidade de me conhecer melhor por causa disso. Ou pode passar quase que fugida ao me ver, como da última vez. Sei lá. Sei lá qual é a da garota da noite. Sei que o meu último post está tendo vários acessos. Acho que por causa da minha enquete sobre a poesia, talvez porque uma pessoa que leu a poesia calhou de ler e gostar também do post. Nossa, como estou antissocial hoje, nem coragem para falar com o meu amigo Marinheiro pelo WhatsApp eu tenho. Quero muito saber se ele foi bem-sucedido no emprego. Se é que o teste foi nesse final de semana, o que não acredito.

18h34. Pronto, criei um pouco de coragem e mandei a pergunta. Ele precisa muito desse emprego. Espero que não tenha cometido nenhuma loucura nesse ínterim. Ele parece estar focado e motivado com a possibilidade de emprego. É geralmente quando gente como nós é acometido por uma vontade irracional de se autossabotar. Espero que não seja o caso dessa vez. Não estou com fome nenhuma agora. Mas sei que quando o sanduíche chegar, eu vou atacar com voracidade. Só de pensar agora me deu água na boca.

18h44. Nenhuma resposta do meu amigo Marinheiro ainda. Pensando nele, eu poderia digitar um pouco do diário. É, acho que vou fazer isso.

19h54. Digitei mais um dia do diário. É o suficiente. Muito chato de se fazer. E rememorar aqueles tempos não é legal. Mas passou. Faço o meu melhor para que nunca mais seja internado.

20h36. Ainda assustado com os memes sobre friend zone.

20h38. Vi no Facebook que meu amigo Marinheiro está no trabalho. A calça deve ter funcionado. Isso me deixa muito feliz. Tomara que ele passe no teste.

21h36. O Marinheiro me contatou. Pelo que entendi está empregado. A calça azul-marinho funcionou. Que bom. Que ótimo. Já estava na hora de a vida soprar para o lado dele. Caramba, eu sou muito, muito afortunado. Comparando as enrascadas em que ele se mete com a vida que eu levo, a minha é smooth sailing. Por outro lado, não fica sozinho, não tem o coração seletivo como o meu, ele só não quer ficar sozinho, ter seu sexo garantido e para ele está bom. É certo que já se apaixonou e sofreu por desamor na vida, mas sempre que não está internado por alguma desandada, ele está com alguém. É mais parecido com o meu primo-irmão nesse aspecto. Por falar no meu primo-irmão... não, deixa para lá, ele não gostaria de ser exposto aqui. O Marinheiro, por outro lado me pediu para que eu narrasse sua história, então não tenho pudores de a contar aqui.
0h31. O Marinheiro me chamou ao WhatsApp e nada disse.

0h34. Foi só para tirar onda.

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11h59. Estou à espera de alguém que virá fazer algum serviço aqui. Minha vontade é dormir mais um pouquinho. O último post foi o segundo mais bem visitado desde que eu parei de reparti-los com os amigos. 58 visualizações.

12h24. Sem a menor disposição para escrever, quero ver o que vou fazer do meu dia. Mamãe quer que eu coma antes de ela chegar. O que eu queria era dormir. Talvez consiga quando o cara que vai aparecer for embora.

12h34. Estou na mesma. Hoje está de lascar. Marasmo monstro. Só me resta ver Facebook.

13h09. Até digitar me está sendo uma atividade penosa. Queria que o cara que vem aqui chegasse logo e logo se fosse.

13h47. Sabe o que é não querer absolutamente nada? Não desejar nada, não querer fazer nada, sem estímulo para nada, não consigo pensar em nenhum cenário que me agradasse nesse exato momento. “Tédio com um T bem grande pra você.” Por falar nisso, nunca ouvi Legião no Spotify e nem posso ligar o som agora, pois o cara do gás pode chegar e eu não ouvir. Descobri com a minha mãe qual era a meta ou função do cara. Ela me ligou há alguns minutos. Tem uma coisa que eu queria, ver a garota da noite dormindo na minha cama. Essa visão seria carregada de significados positivos na minha vida. Seria uma visão bastante feliz.

19h56. Acabei de assistir “Kong Skull Island”. Pensei que era pior. Ainda bem que estava com baixas expectativas, acabou passando o tempo legal. Não é um filme inesquecível e o gorila não é tão bem-feito quanto os primatas da nova trilogia de “O Planeta dos Macacos”. Estou com um pouco de dor de cabeça, que coisa. O Vaporfi, depois de tanto tempo sem fumar, me dá crises de tosse. O cara do gás veio e disse que estava tudo ok em casa, só precisava trocar a peça do hall de serviço, a que faz o gás ficar com uma pressão maior, pois estava fora da validade. Interessante que peças assim tenham validade definida. Eu vi escrito atrás dela, abril de 2017, como o próprio cara do gás me mostrou.

20h07. Vou botar Björk para ouvir. Resolvi recolocar “Abraçaço” de Caetano, o último da trilogia com a Banda Cê. Estava ouvindo antes de Kong. Acho que estou ficando surdo, eu não consigo entender o que Caetano canta direito. Preciso tomar banho. Não agora, depois de comer. Não estou com fome agora.

20h23. Vou me deitar um pouco, para ver se essa dor de cabeça passa. Esse post tem que ser publicado hoje. Acho que não irei divulgá-lo. Está muito chinfrim.

20h32. Olhar para tela aumenta a minha dor de cabeça.

21h27. Fui comer e o marasmo me acometeu novamente. Meu deus, o que será isso? Só posso pensar em uma coisa, mas o tempo é que dirá. Sei que é um sentimento bastante incômodo. Nem aguento ouvir as músicas da lista 6. Pode ser a falta de cafeína também. Essa hipótese testarei amanhã. A dor de cabeça também pode ser falta de cafeína. Eu acho. Sei lá. Só quero que passem o marasmo e a dor de cabeça. A dor de cabeça oscila. Acho que vou tomar banho dentro em breve. A Gatinha poderia vir essa semana aqui em casa. Acho que preciso desabafar, sei lá. Seria muito bom vê-la. Seria uma mudança na minha rotina semanal. Meu deus, já-já viajo para os EUA. Espantar pensamentos ruins. Já estou com um sentimento ruim, que dirá com pensamentos ruins? Focar no Zeldinha. Por dentro estou chorando, espero que não seja um começo de depressão.

21h59. Estou preocupado. Espero que amanhã acorde melhor. Tomei os remédios, nada me impede de dormir agora. Só a falta de sono. Estava planejando tomar um banho, mas estou tão desmotivado que acho que vou deitar assim mesmo. Amanhã, depois de um café, tomo. Vou ligar o ar.

Angústia
Me corrói as entranhas
Coisa da complexidade humana
Que é só desagrado
É um não me caber dentro de mim
É uma vida que se amiúda
Oprime e aperta
É um mal-estar
Nesse aqui e agora
Queria saber chorar
Queria poder chorar
Copiosamente
Demoradamente
A mente, ah a mente
Parece apodrecida
Parece doente
Não de novo
Por tudo o que é mais sagrado
Não de novo
Não há razão
Ou a razão é não ver sentido
Na existência como ela se me dá?
Não sei
Só sei que angustia
Como queria chorar
ou dormir
Tentarei dormir
E me esquecer um pouco de mim
Dessas palavras
Do universo ao meu redor
Essa coisa escura em que habito

22h18. Esse desabafo até que me aliviou um pouco.

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12h12. “Passei nas duas”, mensagem do Marinheiro. Primeira coisa que vi hoje ao acordar. Perdi dois quilos também da semana passada para esta. Acordei com um humor bastante melhor que ontem. Graças. E tem café. Graças x 2. Vou pegar o café.

12h22. Peguei o café, vou perguntar a ele, em qual emprego vai ficar. A bateria do celular arreou quando eu cliquei para ver a resposta. É a vida, vou botar para recarregar e depois o respondo, ou melhor, inquiro. Começar o dia com uma notícia boa é a melhor maneira de começar um dia. Duas notícias, afinal, tenho café. Vou testar se a ausência de cafeína é mesmo um agente que me perturba. Estou animado. Acho que hoje vou dar uma caminhada até o McDonald’s da Agamenon, tomar um sundae e voltar. Espero que a bateria do meu iPod dure todo o percurso. Penso já em almoçar para que minha mãe não fique dando escândalo por causa disso. Mas não estou com fome. Sei que sem comer não vou andar. Não me garanto, ainda mais com a quantidade de café que tomarei até lá. Comer um pouquinho, para não ficar com o bucho vazio. Botar “Arisen My Senses” para coroar essa manhã sem a angústia que me acometia ontem. Estou tremendamente aliviado. Pensei que seria uma coisa persistente. Pensei ter caído nas garras da depressão novamente. Ainda bem que não parece ser o caso. Agora estou bem-humorado e disposto. E sem dor de cabeça.

12h45. Comi. Pouco, mas o suficiente para a comida me pesar no estômago e me dar uma leseira, uma vontade de deitar e jiboiar um pouco. Deixei o ar ligado porque hoje quero me mimar um pouco para me enamorar de novo com a vida. Deixar o dia de ontem definitivamente para trás. Foi um momento de certo desespero para mim. Aos poucos vou entendendo os movimentos do meu ser. Ontem foi mais uma lição. Uma boa lição. As lições mais duras são as que mais educam. Eu tenho experiência em lições duras da vida. Minha mãe viu o texto que escrevi para o Natal da família. E isso me fez relembrar a viagem que farei em cerca de uma semana. Isso ainda me apavora. Mas não vou me focar nisso, manter o olhar nesse agradável hoje que se descortinou para mim. Sorver as energias boas que emanam. Não, não acredito nessa coisa de “energias”, mas não saberia como descrever de forma melhor o que agora sinto. Apreender essa ensolarada realidade que invade a minha vida. Pronto, assim fica mais a minha cara.

13h07. Assinei uma petição a favor da neutralidade na internet. Para que eu tenha total liberdade é necessária essa neutralidade. A liberdade de expressão é algo protegido pela Constituição. Há os excessos e sempre haverá, mas a censura por parte de algum poder sabe-se lá de onde é algo altamente perigoso. E temo porque os Estados do mundo estão cada vez mais tomando o papel de pais e mães da população, querendo se imiscuir cada vez mais nas intimidades das pessoas. As pessoas parecem que pedem por isso por alguma falta parental que me escapa. Não quero ter as mensagens que eu troco monitoradas, por mais que ache que já sejam, de forma impessoal, pelas grandes empresas como Google e Facebook, elas se apoderam do conteúdo que publico em seus serviços para me direcionar propagandas. Não sei se chegam a entrar nas conversas interpessoais, mas não duvido. Entretanto, como disse, não restringem a minha liberdade de expressão. Querem saber meus gostos pessoais de consumo apenas. Sei lá o que querem saber, mas não acho que façam juízo de valor, eles querem apenas lucrar e direcionar suas propagandas para quem tem interesse por elas. Falei com uma conhecida, desejando-lhe feliz aniversário e que ela não desanime, pois depressão passa. Ela disse ter novidades que me contaria depois. Espero que boas. Hoje quero esse post mais para mim, embora ainda queira descobrir qual dos empregos o meu amigo Marinheiro vai escolher ou escolheu. Acredito que o segundo, pois já começou a trabalhar lá e recebe cem reais a mais. A não ser que o outro tenha feito uma contraproposta de valor superior. Não sei se ande até a Agamenon. Talvez seja um passo maior que as pernas. 13h47. Espero que meu celular carregue até as 16h00. Está em 58%, o que é um bom prospecto.

13h56. Fui pegar água. Eu já tenho que me censurar por causa da minha mãe. Certamente ela vai ficar de cabelos em pé com a narrativa de ontem e o poema. Mas hoje estou todo “Utopia”. Amando a vida e me atendo apenas ao momento, como se o futuro não existisse, como de fato ainda não existe. Tudo relacionado a ele são apenas projeções. Não levam em conta o acaso. O homem e sua eterna luta contra o acaso. Não quero pensar nisso. Não quero pensar muito hoje, quero que flua. Me animando de novo para a caminhada até a Agamenon. Dura vai ser a volta. Eu poderia pegar um ônibus para voltar, mas só posso fazer isso do McDonald’s da Agamenon, pois é onde conheço o ônibus que vai para minha casa. Mas não quero pegar ônibus em plena hora do rush. Quero voltar andando por uma cidade paralisada pelo caos urbano causado pelo excesso de carros para as vias superlotadas. Quem sabe até me movimente mais rápido que eles. E não estarei num ônibus entulhado de trabalhadores cansados e estressados com a correria de uma segunda-feira de trabalho árduo por um salário mísero, a via-crúcis da qual me libertei, tendo apenas em comum com eles, a vontade de estar o mais rápido possível em casa. Seguirei andando. Acho até que vou dar uma carregada no meu iPod só para garantir. Ele está quase carregado, 3/4 da bateria ainda. Mas vou carregar, mesmo temendo que isso diminua a vida útil da bateria. Não quero ficar sem música em caminhada tão longa. O iPod me permite ilustrar o mundo com a minha trilha sonora, o que é uma sensação muito prazerosa. A buzinas e os motores do trânsito dão lugar a melodias as mais variadas, de Audiosalave a Belle & Sebastian, passando por Chico Buarque, Sandy e Junior, Zizi Possi, Jesus & Mary Chain, Björk e por aí vai. Obviamente tem Los Hermanos e Legião. As minhas duas bandas brasileiras de coração. E The Cure. E New Order e U2. Tudo isso vai estar disponível para ouvir. Espero que não seja assaltado. Cada vez que saio a probabilidade de ser assaltado e atropelado aumenta. Sei que esse é um pensamento negativo, mas acho que também realista. Não sei. E acho que quão mais longe vou tão mais essas probabilidades aumentam. Estatísticas sem dado de realidade nenhum, apenas a minha intuição. Bom, espero que não seja o fatídico dia disso acontecer. 14h22. Vou dormir no escritório nos EUA. Isso ainda me soa como uma boa notícia, talvez possa escrever sem sair do quarto. E talvez ficar com o meu irmão enquanto trabalha. Não sei se conseguiria trabalhar em casa, é necessário um senso de comprometimento e responsabilidade que não sei se tenho. Se bem que me comprometo completamente com esse ofício de escrever. Mas isso é mais uma necessidade da alma ou um hábito que qualquer outra coisa. Mas é o meu ofício, é o que me esforço e me esmero em fazer. Só não há a contrapartida financeira e sinceramente é tudo o que isto não precisa, a pressão do deus-dinheiro, o fazer pela necessidade do vil metal. Me libertei desse grilhão e foi a maior liberdade que senti em minha vida. E por isso sou todos os dias grato. Não há um dia em que não me lembre desta libertação. Foi o que salvou a minha vida. Não nasci com a composição psíquica necessária para o mercado de trabalho supercompetitivo em que me meti. Um mercado que hoje passa por turbulentas transformações graças às mudanças de hábito geradas pelo advento da internet. Entrei num momento de transição da publicidade feita à mão para a publicidade feita no computador e saí quando a publicidade estava migrando dos meios de comunicação tradicionais para a internet. Em 20 anos ou menos, a quase totalidade da publicidade vai ser feita através da internet acredito eu. Não estaria preparado para isso. Me daria muito mal, caso ainda estivesse na profissão. Por mais que a publicidade necessite de uma boa redação e de uma agradável e chamativa direção de arte. Mas não saberia programar, nem teria vontade de aprender. Essa transformação me geraria outra crise e acabaria por me matar. Ainda bem que pulei fora do barco antes. Senão hoje estaria obsoleto para a profissão, eu creio. Senão hoje, muito breve. Esse sentimento de obsolescência eu comecei a sentir na última vez que tentei trabalhar, há uns três anos, imagina agora. Pelo menos eu tenho uma coisa que a maioria não tem, um domínio rudimentar da língua. A juventude, via de regra, é semianalfabeta. Embora, nunca tenha sido muito de ler, por alguma razão eu aprendi, não sei como, pois também odiava as aulas de Português, a escrever de forma relativamente certa.

15h12. Para mim beira o surreal. Não deveria mas vou contar por ser muito inusitado. Uma conhecida minha foi em uma festa BDSM (procure no Wikipédia como me foi sugerido por ela) e arrumou um escravo. Isso é muito louco para os meus padrões mais ortodoxos. Mas cada um sabe o que vai na alma para se sentir feliz. Como digo sempre, toda forma de amor vale a pena, toda forma de amor vale amar. Se é que isso pode ser considerado amor. Ela está meio cansada do escravo, pois esse só quer que ela o maltrate. Que coisa mais inusitada. Fiquei até curioso em ir numa festa dessas. Hahahaha. Como dominador, é claro. Hahahaha. Não vou pagar uma de escravo para ninguém. Deve dar um senso de poder muito grande, subjugar alguém que anseia por isso. Não sei se teria o sangue frio para provocar dor em alguém, não é a minha vibe. Talvez não seja a minha praia, pensando bem. 15h22. Daqui a pouco parto em direção ao McDonald’s. Está me batendo a preguiça. Mas vou encarar. 15h28. Minha conhecida me dará mais detalhes dentro em breve. Mas já sei que o escravo se fez de mesa e ficou beijando seus pés no meio de um bar ou boate, sei lá. Bastante curioso. Essa foi mesmo surpreendente.

15h42. O Santander me ligou querendo me empurrar outro cartão de crédito. Nessas horas ser curatelado e incapaz judicialmente é uma mão na roda. Fica muito fácil convencer o(a) pobre operador(a) de telemarketing de que eu não posso ter mais um inútil cartão. 15h50. Dez minutos para a partida ou para eu me aprontar para a partida. Já chequei o celular e ele está 100% carregado. A bateria do iPod há muito já carregou. A minha conhecida disse que iria mais detalhes sobre a história do escravo. Quando voltar falo com ela. 15h53. Será que aguentarei ir e voltar da Agamenon? E tomar um sundae que tornará todo o meu esforço físico vão. Não sabia que existia o verbo tranar, não faço a mínima ideia do que ação ele represente. Significa cruzar ou atravessar a nado, transnadar. Hoje é um dia de descobertas. Fiquei curioso de ir a uma festa BDSM. Sério. Deve ser uma experiência sociológica para lá de interessante. 15h59. Hora de me aprontar para partir. Cheio de fantasias dominadoras na mente. Eu que sinto sempre subjugado pela minha mãe, teria uma boa válvula de escape sendo o dominador de uma escrava. Desde que gatinha e bem-feitinha. Teria que rolar alguma atração, eu creio. Creio também que, pelo mesmo motivo que eu queira ser dominador, as mulheres em geral devem ser dominadoras por serem tão subjugas em suas vidas cotidianas numa sociedade majoritariamente machista, mas isso preciso investigar com a minha amiga do escravo quando eu voltar da caminhada. 16h03. Preciso ir. Até a volta.

18h45. Cheguei da andada às 18h05, mas fui tomar banho, salvar a prova de que, sim, fui até a Agamenon e voltei, e, tirando os pés meio detonados por causa da sola fina do sapato, estou inteiro. Acho que a próxima andada será até o Recife Antigo. No caminho o que me marcou mais foi o cheiro de manga que me remeteu à minha infância, nas primeiras vezes que fui a Macau, quando os meus avós paternos ainda viviam lá e o cheiro de frutas, predominantemente de manga invadia a cozinha e a sala de almoço. Bons tempos que os anos não trazem mais. No mais, vi uma garota interessante de bicicleta. Por coincidência nos cruzamos na ida e na volta. Nada que desbanque a garota da noite, mas pelo menos algo que me faz perceber que nada está perdido. Que há muitas garotas nesse mundo. Porém não sou de abordar desconhecidas. Entretanto, a garota da noite é praticamente uma desconhecida que eu calho de ter o Facebook. O que já é uma grande diferença, é verdade, mas talvez eu consiga induzir ou convencer uma desconhecida a me dar o Facebook também. Afinal, não é o WhatsApp, que é algo de cunho mais íntimo (pelo menos eu acho). Sei lá o que estou falando. Quem está na minha mira é a garota da noite. Se vou conseguir, o acaso há de decidir. Fiz o meu melhor e acho que agora é momento de silenciar um pouco. Pretendo tirar uma foto específica e mandar para ela no Natal. Acho que é um bom momento para isso. Mas estou curioso para descobrir mais sobre o tal do escravo da minha conhecida.

19h13. Ela está off-line. Mas acho que os detalhes mais sórdidos e, portanto, deliciosos, já foram narrados aqui. O que posso dizer agora. Acho que minha próxima caminhada será até o Recife Antigo. Talvez ida e volta. É a caminhada que tem mais probabilidade de assalto, pois o Recife Antigo tens uns malas, mas acho que se me ativer ao Marco Zero não terei problemas. E sair mais cedo, umas 15h00. Não poderei. Quinta é o dia que pretendo arrumar as minhas malas para a viagem. Nossa, como estou bem comparando a ontem. Ontem foi um dia que não deveria ter existido. Ou melhor, é bom que tenha existido para me lembrar da preciosidade de dias como hoje. Fiquei imaginando se naquele mar de carros passou alguém que me conhecesse. Em verdade, cada carro vermelho e pequeno, sem ser sedã, eu ficava a imaginar que poderia ser a garota da noite a ver o meu esforço para conquistá-la. Hahahaha. Ô, bicho besta. Mesmo que visse nunca iria saber porque eu estava ali naquele momento. Nem se interessaria pelo assunto, não perderia tempo com questionamentos a meu respeito. Hahahaha. Melhor investir na escrava. Hahahaha. Mas sem zona, fiquei supercurioso para entrar nesse gueto e ver como é. Nunca imaginei que em Recife havia disso. É de fato uma metrópole com todo tipo de gente. Será que é um ambiente doentio, macabro ou alto astral? Fico na dúvida. Imagino que quem está lá é para se divertir, ter prazer sensorial. Mesmo que através da dor.

19h58. Fui pegar as compras no carro e, nesse ínterim, a pessoa do escravo se manifestou. Mas não vou puxar o assunto. Se ela quiser falar, fala, pois é uma das que às vezes lê isto daqui. E não quero aparentar manipulação.

20h22. Estamos conversando. Aliás estou conversando com o meu amigo jurista sobre videogame e sobre BDSM com a pessoa. Depois narro as partes mais interessantes de ambas as conversas.

21h40. Finalmente saí do Facebook. Sobre o escravo, a pessoa disse que ele arrumava a casa, que saiu para a praia com ela usando coleira e mordaça e que comia num pote de cachorro. Infelizmente estrilou quando ela resolveu comprar uma lanterna que dava choques elétricos de até dois mil volts. Diga se não é uma coisa inusitada? Ah, e era rico. Ah, e ela tentou mata-lo afogado na privada (disso ele gostou). O que motiva uma pessoa a se submeter a isso é algo que desperta a minha imaginação e curiosidade. Se eu arrumasse uma escrava para mim, teria medo de supercompensar demais e sei lá. Melhor não me meter com essas coisas. Melhor manter meu foco na garota da noite. Sobre os videogames meu amigo jurista não consegue entender o meu desinteresse por games. Eu também não consigo. Simplesmente o Word se tornou o melhor videogame que eu poderia ter, pois ele me diverte, entretém e me dá controle completo e irrestrito sobre o personagem, a palavra. Isso me diverte bem mais do que tentar sobreviver a uma série de desafios pré-programados, por mais que os gráficos me cativem e sejam bem mais interessantes que os caracteres pretos sobre o fundo branco do Word. Como disse estou apostando todas as minhas fichas no Zelda Breath Of The Wild e se mamãe for boazinha no Mario Odyssey do Nintendo Switch que pretendo trazer de lá.    

21h51. Acho que esse post está grande demais já. Mas ainda é cedo e não quero ir hoje para o Desabafos do Vate. Cada vez tenho menos convicção de que irei abrir o blog para alguém enquanto vivo. Não preciso passar pelo ridículo maior de fazer isso. Quando falei dos jogos que tinha, aí foi que meu amigo jurista ficou sem entender. É, é uma pena, é como ter um tesouro e não querer usá-lo. Tenho os melhores jogos de dois sistemas e nenhuma vontade de jogá-los. E, amiga dominadora, me perdoe se contei essa parte do escravo aqui, mas achei uma parte interessante demais do meu dia para não registrar. Não tem nada que denuncie quem você é. Não se preocupe. Apenas eu e você sabemos quem é a personagem dessa história.


23h09. Voltei a conversar com a pessoa do escravo sobre coisas outras. Estamos conversando até agora. Pelo menos é um passatempo. Não tenho mais conteúdo para pôr aqui. Comi um sanduíche e meio de pão francês com mortadela e queijo mussarela (eu acho). Deixei uma metade para a fome dos remédios. Que espero que não seja grande hoje. Segundo a balança, eu perdi pouco mais de um quilo com a caminhada. Vou começar a revisar isso. 

Olha a prova de que comi sundae no McDonald's da Agamenon.
Olha a Agamenon lá atrás.

Achei que as florzinhas deram um toque às calçadas sempre tão cinzentas da cidade.

sábado, 9 de dezembro de 2017

MEU AMIGO MARINHEIRO E GAROTA DA NOITE


Meu amigo Marinheiro está à procura de um emprego, vai ter três dias de teste num restaurante como atendente e precisa de uma calça social preta. Ele disse que me escolheu como confidente para que um dia eu escreva a história da sua vida. Como sei que nunca farei isso da forma convencional, crio hoje o marcador “Marinheiro” no meu blog para que a história dele, à medida que se desenrola, fique arquivada aqui. Bom, voltando à calça preta, ele tem certeza que tem a sua na casa da mãe. A mãe, que não quer vê-lo de maneira nenhuma pelo que entendi, afinal foi acusado de agredir a avó que tem Alzheimer avançado, coisa que ele jura que não fez, disse que ele havia dado a calça para um irmão.

Eis o que disse ao pai, que foi o seu interlocutor perante a mãe, ao ouvir a resposta dele:

“Acho bom o senhor deixar de ser bunda mole e pau no cu e parar de acreditar em tudo o que minha mãe fala porque se eu tô dizendo que não dei essa porra dessa calça pra ninguém é porque eu não dei esse cacete pra ninguém, não, tá entendendo? Agora não venha o senhor dizendo que eu dei essa calça, não, porque o senhor não sabe de porra nenhuma, não, entendeu? Seja bunda mole, não, rapaz, se eu tô dizendo esse cacete que eu não dei carai para ninguém, não, é porque eu não dei, não, rapaz. Seja um homem, tenha sua palavra, sua convicção, vá pela sua cabeça, não vá pela cabeça dos outros, não, rapaz.  Seja homem, seja bunda mole, não.”

Quando mencionei que ele tinha sido agressivo demais, ele disse que eu precisava ouvir como os pais o tratam. É realmente uma relação muito adoecida e muito arisca, para dizer o mínimo, caso os pais se comuniquem no mesmo nível realmente, o que acho que deve se dar. Não duvido. O que a mãe já fez com ele, de negação e rejeição, não está no gibi.

Disse-lhe para procurar com os amigos. Depois lembrei que tinha uma calça social preta e a ofereci a ele. Ele não respondeu. Talvez chateado por eu dizer que não iria escrever um livro sobre ele, como ele sonhava. Acho que vou andar hoje. São 15h27. Ele tem que me responder se quer a calça ou não até as 16h00. Nada tem sido fácil na vida dele. Nada nunca foi fácil em sua vida. Às vezes porque ele mesmo dificultou. Sempre foi bicho solto, amante da liberdade. Nunca se preocupou se tinha pouco ou muito. Valia mais amar. Como quando se mandou com uma namorada para Salvador e para se sustentar passou a vender picolés em ônibus. Morava num vão, mas era feliz com a garota que amava, até trazer uma pedra de crack para casa e ela o abandonar para nunca mais voltar. Foi um dos grandes amores de sua vida. O crack arruinou muita coisa. Foi por causa desse vício insano que o conheci, num internamento na Clínica de Drogados, quando ela funcionava no primeiro endereço. Lá a identificação foi imediata e recíproca, tornamo-nos melhores amigos, por mais que nessa época eu já gostasse de me isolar e ouvir o meu iPod. A turma foi a melhor que peguei em todas as minhas internações. Muito unida e com pessoas muito legais. Bem, a maioria. Todos se davam bem, mas aqui e ali havia desavenças, era como estar num Big Brother, até porque à época a turma era mista, garotos e garotas. Foi quando conheci Nina, Borderline que estava com problema com cocaína. Ela ficou com todos os almas do internamento, sim, havia esses, menos comigo. Hahahaha. É minha sina. Também não ficou com o Marinheiro, até onde sei. O Marinheiro não era alma. Não é. É um rebelde, altamente repelente à hierarquia e ordens, principalmente familiar. Por outro lado, como disse, a família não facilita com ele.

18h11. Cheguei da andada e o Marinheiro ainda não arrumou a calça. Achou que a minha seria grande, disse que iria ficar folgada nas pernas. Sem dúvida. Ele é magérrimo. Disse que se virava por lá. Aguardo notícias. Se eles a quiser dar. O Parque dos Baobás só tem um baobá e havia quatro mulheres a se fotografarem mutuamente em frente à árvore, o que me desmotivou a ir lá tirar minha foto. Estou ouvindo o novo do U2 e, ao contrário do novo de Björk, não estou muito impressionado. Aliás estou muito pouco impressionado. Para ser sincero, desde o “No Line On The Horizon” o U2 falha em me agradar. Não estou muito inspirado para escrever hoje. E me sinto na obrigação de falar do Marinheiro. Por que o chamo de Marinheiro? Porque ele já trabalhou de garçom num desses cruzeiros que fazem pela Europa. Falo muito sobre ele e sua história de vida no diário que fiz da minha última internação no Manicômio. Tenho que terminar de digitar. E mandar revisar. E mandar para alguma editora. Mas é muito chato. Duvido que alguém se interesse. Seria a glória ter um livro publicado. Mas deixemos os sonhos de lado.

19h06. Tentei compor uma poesia para a garota da noite, mas estou cansado e desgostoso com as poesias que escrevo para ela. Não sai nada que preste. Se eu lesse um pouco de poesia talvez ajudasse.

19h19. Li dez poesias de Fernando Pessoa. Vamos ver o que sai

Serei ridículo, como diz o poeta
Pondo-me a falar de amor
Como se tivesse sobre o amor
Alguma propriedade
Quando é ele e todo ele
Que se apropria de mim
E vem me despir como a um bebê
Que a ama vai trocar as fraldas
Nu sem nenhum pudor
Porque ainda não conhece o pudor
Porque não há por que pudor
Em repartir a boa nova que a alma me apresenta
E que quer se revelar a ti
Completa e nítida e bela como a manhã
Que aos poucos se derrama
Nas encostas marítimas da minha terra
E alcança o batente da tua porta
Que não ousas abrir
Temendo que a minha manhã
A manhã que deveras sou
Te amanheça a face
E todo o resto
O que há de mais profundo e sagrado
Mas o que há de mais profundo e sagrado
É isso mesmo que me preenche o peito
É essa a oferta ridícula que faço
Ridícula por ser minha e não do outro
Ridícula porque inútil
Improbabilidade metafísica
Que se dane toda a metafísica!
Que soem e ressoem todos os clarins
Do meu coração
Que os quatro ventos
Ou a indecisa brisa
Que agora me afaga
Levem como um carinho
Essa música peculiar
Que agora sinto transbordar
Do meu peito em vontade pura
De desaguar em ti
Sim, sou reles, ridículo, um idiota
Poeta eu não sou
Nunca o fui e nunca o serei
Mas trago o sonho de todo poeta
Para te dar
Porque não abres a porta?


21h03. Foi o que saiu e já mandei. Mas acho que a garota da noite não vai ler mesmo. Mandei como se pedisse que ela avaliasse para eu mandar para outra garota. Hahahaha. Pode ser que isso a motive a ler.

21h37. Estou no Facebook a coletar impressões de garotas sobre o “poema”. Até agora as opiniões têm sido favoráveis, só uma achou muito grande. Hahahaha. Verborrágico como sempre. Não sei o quanto as impressões foram sinceras e quanto foram hipócrita incentivo, sei que já está na caixa de texto da garota da noite. Resta saber se ela vai ler ou não. Espero que não tenha por assédio ou coisa que o valha. Hoje em dia as mulheres andam tão cheias de dedos e pudores desmesurados em relação aos homens. Sei lá. Minha prima achou que não soaria como tal. Não sei como soará somado aos vídeos que mandei, se ela resolver rolar a conversa mais para cima. Isso me deixa preocupado, mas fiz de coração. Não poderia ter feito mais de coração que isso. Se ela achar que estou sendo excessivo, ela vai sinalizar de alguma forma, tenho certeza. Ninguém gosta de ser assediada.

Sou muito pouco
Em vista do que fui
E o que fui me angustia
Quem eu sou
Embora não saiba quem de fato sou
É alguém que me cabe
Alguém que não quer mais sair de si para o nada
Sim, é verdade
Sou apenas um borrão do que fui
Um verso doente, manco, torto
Por isso me transformei
Em palavras
E em palavras vou me transformando
As palavras me dão forma, volume, conteúdo
As palavras me dão e são minha vida
As palavras me acolhem, me aninham, me ninam
As palavras me alimentam
Não do vulgo alimento
Mas do alimento que move a alma
E sigo adiante
Eu e minhas palavras
Sei que não sou lido
Sei que não sou grande
Mas me dou com a minha pequenez
Estou bem no convoluto quarto
Do meu ser
De onde fluem as palavras
Que despejo ao léu
E que me resgatam
Da estranha condição
De ser eu mesmo

Daqui a pouco vou criar o hábito de fazer versos. Hahahaha. Que ridículo não devo estar passando, meu deus. Houve um episódio de plágio na minha vida que a modificou completamente. Eu estava fazendo um estágio para direção de arte na maior agência de publicidade daqui. O cara copiou o meu layout, tanto que me mudaram de lugar. Acontece que a cópia ficou melhor que o original e a pessoa ficou com a minha vaga de estagiário. Eu poderia, quem sabe, talvez, hoje estar na maior agência de Pernambuco. Quem sabe contente com a minha profissão. Ou quem sabe não? Acho que esta última me soa mais verdadeira que a anterior, pois só de pensar na pressão criativa que eu receberia sinto um tremendo mal-estar. Fico feliz por meu amigo aqui do prédio, coincidentemente homônimo, que chegou lá, numa das grandes de São Paulo, uma das melhores do mundo, pois a Publicidade brasileira está entre as melhores do mundo. Ou estava à época em que eu me importava com isso. Hoje em vez de um publicitário medíocre, sou um escritor medíocre. E me sinto tremendamente bem sendo isso. Coisa que nunca me senti enquanto publicitário. Bem, talvez só no começo, quando achava que a mediocridade era porque tinha muito a aprender. Ledo engano. Nunca fiz nada nem remotamente genial como as coisas que via no anuário do Clube de Criação de São Paulo ou na revista Archive. E quase me matei por causa dos bloqueios criativos. Literalmente. Hoje não há bloqueios criativos porque escrevo sobre a minha vida e ela não para de acontecer. Some-se a isso as recordações como as que enumerei agora e tenho uma infinda quantidade de conteúdo. É certo que há certos dias em que não estou para a escrita e ela me vem difícil e sem vontade, mas descobri que a cafeína ajuda. A cafeína talvez seja a melhor amiga do eu escritor.

0h32. Acabei de comer.

Tenho muita sorte em existir. O acaso me trouxe a ser quem eu sou. Desde a célula primeira até o homem cismando em frente ao computador foi uma longa sequência de acasos que se tornaram favoráveis a mim. E sou ser da raça mais poderosa do planeta, que ainda trata a Terra como um nômade, destruindo e consumindo o que vê pela frente como se acreditasse que daqui migrará para outro lugar, outro corpo celeste a ser devorado. Ou como não tivesse filhos ou netos. Totalmente consumida pela ambição. A fome insaciável de ter mais. A mais doente das doentes, a mais insana das insanas. Uma fome vazia de significado. Uma vida vazia de significado. Mas que posso eu dizer de uma vida sem significado? Eu que passo os meus dias a escrever. Eu cujo ofício é escrever para si? Eu que desonro a obrigação ancestral de ter uma criança? Eu que faço tão pouco. Que faço menos do que devo. Certamente do que esperam de mim. Sou pouco, eu sei. E tremendamente egoísta. Eu sou o rei bebê. Eu sou aquele que não devia ser. Eu sou o inverso do sucesso. Eu sou a liberdade. Minha alma está livre, livre. É só lidar com as culpas da forma adequada. Culpas que eu mesmo aplico a mim e que nada mais são que projeções mentais que crio. Não são reais. Algumas me parecem reais até demais. Tenho que pedir desculpas à minha mãe por não ir amanhã com ela a Porto.

1h08. Esqueci um “a” na poesia. Que ozzy. Já coloquei aqui, mas na que mandei para a garota da noite tem o erro. Ozzy, ozzy, ozzy. É a vida. Não revisei direito. E se ela vir? Com o pedido e achar realmente achei outra para encarnar?

1h26. Ela entrou há uma hora e não leu nada. Realmente devo ter algo de muito ridículo, de muito repulsivo. Não pode ser só o bucho, deve haver mais. Acho que a insistência. Só pode ser insistência. Não vejo outra razão. Acho que ela me mitificou (negativamente) e eu a mitifiquei (positivamente). Que ozzy.

2h01. Sei lá qual foi a da garota da noite comigo. Ela deve se indagar o mesmo a meu respeito. Acho que ela vai fugir sempre que me vir. Ou então vai encarar ficar na minha presença sem falar comigo. Talvez, se eu perguntar, responder amigavelmente, aliás, fria e rapidamente, o que é a ou o Encontrarte. Vai ser ozzy. As coisas que eu crio no universo. Só besteira. Só burrice. Eu teria que ser um às da socialização para reverter isso. Me cruzou a cabeça tomar duas cervejas no próximo encontro. Deus me livre. Ela não merece tanto de mim. Minha mãe não merece isso de mim. Eu não vou me arriscar por causa de uma garota. Por causa de seu ninguém. Minha sina é ficar realmente só. Se for, que seja. Sempre que surgir uma raríssima, quase única oportunidade como essa, tentarei aproveitar. A garota da noite é um caso perdido, na minha opinião. Acho que na opinião de quem quer que saiba dessa história. É possível que o meu amigo cervejeiro ainda acabe com raiva de mim.

Imaginando algum cenário em que a conversa com ela fosse inevitável. O que queria mesmo é que a mensagem que eu mandei agora “Fez bem em não ler” despertasse a curiosidade acerca do que foi escrito e ela visse tudo. Acho que concluiria daí, psicóloga que é, que estou num quadro de mania. Hahahaha. Não há saída para mim com a garota da noite. Soubesse ela que em mais de dez anos, ela foi o mais próximo que cheguei de me encantar e encantar uma garota. Que pena que a reação dela tenha sido tão negativa às minhas investidas posteriores. Sempre passa pela cabeça que a amiga dela a alertou para me evitar. Ou foi o que eu disse a ela sobre mim mesmo que a bloqueou. Como já falei, sei lá qual é a da garota da noite. Só posso especular. Mas sem dúvida as minhas postagens são um ponto supernegativo para mim.

2h36. Acho que vou dormir, mas ainda não estou com sono o suficiente. Está gostosinho e um pouco doído e outro pouco vergonha e constrangimento ruminar sobre a garota da noite. Se ela soubesse a enquete que eu fiz com diversas mulheres, jovens e não tão jovens, a respeito do “poema” antes e depois de enviá-lo. Se soubesse quantas palavras de incentivo recebi. Não adianta se a garota da noite me tem quase por um stalker. Deve ter medo de mim. Medo e repulsa, exatamente os sentimentos contrários aos que queria cultivar. Estou realmente fora de moda. É melhor me resignar. Não só com a garota da noite, mas com qualquer outra garota. O meu tempo passou, sou um homem ultrapassado. Quando a idade as atingir, sentirão na pele o que sinto, caso continuem na vida que levam. Se estiverem solteiras, digo. Não estou rogando praga. Ou será que estou? É que fico meio chateado. Eu pelo menos responderia, eu acho, se uma menina tentasse me conquistar. Se me arrependo de algo relativo a esse caso? Algo que eu fiz? Não. Posso sentir um pouco de vergonha de ter me exposto assim. Me mostrado tanto assim. Ainda bem que ela não viu e não vai ver. O que diria a ela se a encontrasse? Tudo bem, eu já entendi. Na sua cabeça não rola nem nunca rolará nada entre a gente. Passada essa etapa, eu tendo já essa noção, podemos ao menos conversar como dois adultos que somos? Se não, também não ficarei espantado. Entenda, entretanto, que enquanto o meu coração não desencanar e partir para outra, vou lhe mandar mensagens – que você não lerá – porque me apraz e diverte. É melhor do que a solidão afetiva completa, é a solidão afetiva completa com um tempero. E para quem vem comendo desse prato há tanto tempo, qualquer variada no sabor é bem-vindo, por mais que seja um sabor doce-azedo.

3h18. Eu queria um Nintendo Switch com o Zelda e o Mario para jogar... mas é outra coisa que não posso ter... ozzy. Acho que não jogaria muito mesmo. Ou jogaria? Zelda eleito o melhor game do ano. E Mario quase barrando ele. O Mario eu sei que é fantástico e viciante. O Zelda sendo mais incrível ainda. Nossa, acho que vou me decepcionar com o Zelda. E acho que jogaria, sim. Muito. Vou dormir.

-x-x-x-x-

19h00. Cheguei de Porto muito cansado, houve uma confraternização da família materna hoje. Eu que disse que não ia me vi obrigado a ir. E foi bom. Família reunida sempre é bom, por mais que fique mais de espectador (para variar). Dormi muito pouco. Mas tenho novidades (boas, eu acho). Conto depois com o espírito devidamente preparado. Vou tirar um cochilo.

Porto de Galinha e o mar (que já lar do meu amigo Marinheiro)



19h32. Não consegui dormir e é melhor que não o faça pois amanhã tem um chá de alguma coisa da vindoura filha da minha prima, irmã do meu primo-irmão.

Eu não danço
Não sei dançar
Mas dentro de mim
Algo se agita e baila
Como passista da Mangueira
De contente alegria
Como se minha escola fosse campeã
Pois ela me viu
E respondeu
E isso vale avenidas

19h42. As novidades são essas, a garota da noite viu as minhas postagens e agradeceu. Achou o “poema” “muito belo”. Não sei se isso significa mais do que o que foi dito no grande esquema das coisas, mas se há algo que aprendi foi a tomar tais coisas com boa dose de ceticismo. Assim me descem mais realistas, senão me vejo caminhando em nuvens e a queda lá de cima é grande. Pelo menos o doloroso véu do silêncio foi levantado e a resposta não foi um fora. Quem sabe aos poucos, “poema” a “poema”, eu não acabe conquistando um espaço em seu coração. Olha aí, já começo a viajar na maionese. E temo muito um encontro cara a cara, quando não terei a tela do computador para me proteger. E a tecla de delete para me ajudar com as palavras. E não saberei dar as investidas físicas, o tal “chegar chegando”. “Pobre de mim que invento rimas assim e outro vem em cima e você nem pra me escutar...”, acho que Paulo Ricardo profetizou o nosso próximo encontro. Hahahaha.

20h53. Não soube mais do meu amigo Marinheiro. Já-já vou dormir. Vou arriscar outra poesia

As mãos na nuca
O olhar distante
O cabelo revolto
Um perfeito retrato
De tudo o que mais quero
Impressiona a minha retina
E impressionado fico
A me indagar
Quantas histórias
Temos para nos ninar?
Como fazer o pouco
Que há de comum (se pouco há)
Em algo grande?
Confesso não achar resposta
Nesses versos
E a imagem permanece
A evocar mil sonhos
Feitos de nada
Vivendo de migalhas
O faminto coração

21h10. Comecei com essa história de poesia e agora não quero mais parar. Que coisa! E são tão fracas, por que insisto? Porque me diverte, oras. Ajuda a passar o tempo. E a direcionar o meu bem querer pela garota da noite para algo um pouquinho mais concreto que a minha imaginação pura e simples.

O tempo, essa ironia da existência,
Se estica quando quero que passe
E se encolhe quando mais preciso dele
O tempo que vive a me pôr cabelos brancos
Que vive a me roubar a minha vida
Como se tivesse algum desagrado de mim
O tempo que faz até a luz parecer lenta
É o mesmo tempo que leva você de mim
Antes mesmo de poder conhecê-la.

-x-x-x-x-

10h58. O Marinheiro arrumou uma calça social azul-marinho. Espero que dê para o gasto.

Torcendo para que funcione!


20h15. Acabo de voltar do chá de fraldas da irmã do meu primo-irmão. Foi bom rever a família paterna e conversar com meu primo sobre neurose noogênica e friend zone. Para os que não sabem, como eu não sabia até essa tarde, neurose noogênica é praticamente o mesmo que viver uma vida sem sentido, sem um direcionamento, sem uma meta. Friend zone é quando o cara está a fim de uma mulher e acaba virando amigo. Esse negócio de friend zone aconteceu comigo muito mais vezes do que gostaria. Acho que é minha sina. A garota da noite foi fria e seca comigo acerca dos meus recentes comentários. Essa garota... mas que garota. Seria como tirar a sorte grande. Quem sabe não o seria para ambos os lados? Só falta ela descobrir isso. E acho que não é o que ela esteja procurando. E o pior, estou morrendo de medo de encontrá-la, de trocar os pés pelas mãos, travar, ficar sem ação. Se eu conseguisse enxergá-la menos musa, menos tudo o que acho, seria uma ótima. A longínqua possibilidade de sucesso, por mais distante que esteja, já me apavora. Eu que estou tão acostumado ao fracasso, tão acostumado à solidão. Eu que agora tenho a friend zone como um novo e assustador fantasma, sou só receios, cheio de dedos, um Maracanã lotado de dedos, todos trêmulos de medo de destruir essa frágil possibilidade como a uma bolha de sabão.

Minha incrível incapacidade fotográfica impediu de revelar o nome
da futura integrante do clã, Alice. Que o mundo lhe seja dócil, Alice.


Esse post já está muito grande. Vou revisar e postar. Helmet toca “Unsung” no som. Só coloquei essa música por pura nostalgia do Disk MTV. Veja só, as votações eram por telefone, pois não havia ainda a internet como ela se dá hoje. Como será a internet daqui a 20 anos? Essa é uma pergunta que me enche de curiosidade, mas não vou divagar sobre o tema aqui. Acho apenas que mais e mais faremos tudo pela internet, todas as compras e transações bancárias, pelo menos. E isso é o mínimo. A Google projeta que “até 2025, uma pessoa comum conectada usará dispositivos conectados aproximadamente 4.800 vezes por dia, o equivalente a uma interação a cada 18 segundos.” Uau. Vendo como jovens e crianças estão conectados hoje, não duvido. Bom, vou revisar. Só uma última coisa, a cada vez que paro aqui para ver o Facebook aparece que a garota da noite se conectou há poucos minutos e está off-line. Curioso isso. Acho que se a visse conectada me daria um frio congelante na espinha e no estômago, um jorro de adrenalina e não teria coragem de falar nada. Nossa, morro de vergonha dessa covardia e insegurança. De novo. Ela estava online há um minuto. Talvez não queira entrar enquanto estou conectado. Sei lá. Pela última vez, sei lá qual é a da garota da noite.